Páginas

sábado, 16 de julho de 2011

Com Raiva da Minha Cidade

               Eu sei, eu sei que disse que só voltaria dia 18, mas... Gente, isso eu precisava dividir com vocês.
              Gente, eu moro em cidade pequena. Eu e a maioria da população do país, afinal, a maioria das cidades do Brasil são como a minha: pequenininhas.
            Isso definitivamente não representa um problema na sua infância, porque convenhamos, quem já brincou de pique pega na rua sabe como é bom esse tipo de liberdade. Mas... quando o quesito é beleza/moda, isso é um problema.
            Vamos às divagações. O Brasil já é, naturalmente, um país que traz as “tendença” um pouco atrasadinho. Tudo o que lá fora já está quase se aposentando, chega aqui bem depois (pelo menos as marcas que fabricam em série só trazem depois). Lembram do esmalte fosco? Chegou aqui quase um ano depois que já nem era mais moda no exterior. Entre outras coisas. Bom, mas se no país já demora assim, imagina em cidades pequenas? As coleções novas das grandes marcas sempre chegam aqui com meses de atraso. Muita marca bacana, por aqui não chega nem o cheiro. O universo de quem mora em cidade pequena é limitado. Se você é a doida das compras on line (Yasmin? Oi? Kkk), isso também nem é tão um problema assim. Às vezes te garante até algumas coisas “exclusivas”, que ninguém do seu convívio tem. O problema não acaba sendo ter – mas usar.
            E é aqui que manifesto minha indignação. Gente, usar certas coisas em cidade pequena é sinônimo de chamar atenção. Exemplifico: há quanto tempo vocês vêem oxfords nos blogs de moda? Deve ter uns bons dois anos que eles já são coisa corriqueira no exterior. Aí vieram de mansinho no Brasil, mas eram difíceis de achar. Eu, há uns 3 meses achei um par nude perdido numa loja aí. Fui usar amarradona – e fui obrigada a ouvir diversas piadinhas por causa dos meus sapatos. Isso há 3 meses, porque depois um monte de marca passou a fabricar, eles inundaram as lojas e passou a ser normal.
            Todo mundo aqui concorda que mistura de estampas pode resultar em um resultado cafona – mas também pode ficar incrível, né? Há uns dias brinquei com xadrez e bolinhas em tons de preto e branco (num detalhe da camisa e no sapato) e me perguntaram se eu tinha saído com pressa de casa e se tinha vestido a primeira roupa que achei. Poxa!
            É muito chato usar alguma coisa “diferente” e todo mundo ficar te apontando na rua, como se você tivesse cometido um crime imperdoável. E as vezes, inclusive, por causa de uma coisa que não tem nada de bizarro – só é diferente mesmo. Mas o foda tenso é que o Brasil se orienta em termos de moda pelo raio da novela das 8. Se uma atriz X ta usando Y, aquele item aparece nas lojas com uma velocidade espantosa – e nem interessa se é de bom gosto ou não. E aí, tudo bem usar uma bijuteria fuleira colada na testa (Caminhos das Índias, oi?), mas uma menina que fez uma mistura de estampas... NÃO!!! Pra ela a gente vira pescoço na rua, dá risadinhas abafadas e aponta o dedo.
            Eu fico magoada. Não porque eu me ache melhor do que os outros, mas pela falta de tolerância. A cidade pode ser pequena, mas o pensamento não precisa ser. Aqui, onde eu vivo, as palavras “estilosa”, “chique” e sinônimos são utilizadas com tons tão pejorativos, que as vezes dá vontade de sair uniformizada igual todo mundo daqui. E o que gera esses comentários é o mero desconhecimento, estranheza ao que é novo. Em vez de tentar aprender com as pessoas que tem coragem de ousar, ou de simplesmente deixar a pessoa usar o que ela quiser em paz, as pessoas precisam ser rudes e transformar uma peça de roupa, um corte de cabelo, um item pequeno, em um espetáculo de circo.
            E o motivo da minha indignação? Porque essa semana estava com o cabelo sujo e usei um lenço dobrado no cabelo, como se fosse uma faixa no cabelo pra disfarçar. UM LENÇO, GENTE! E 8 pessoas... OITO (!!!) me falaram que eu parecia uma lavadeira com ele. Chateação é pouco.
Alguem pode me dizer se tem mesmo alguma coisa errada com meu lencinho?


            Dividam suas indignações comigo, ladies!!!

3 comentários:

  1. Oh meu Deus! Vc não ficou nada parecida com uma lavadeira, ficou charmosérrima. E apesar de não morar em cidade pequena eu te entendo, pq qnd vou à cidade em q minha mãe foi criada (q é muuuito pequena msm) me olham como se fosse um ET, mas relevam por eu ser da 'cidade' então eu avalio o que é quer ser moderna e linda e morar e cidade pequena huahau...

    Mas na boa se joga e sorria e acene!

    Bjus

    frescurabasica.blogspot.com

    ResponderExcluir
  2. Amiga, eu sei como se sente. Mas não dá bola, se vc é autêntica e gosta de inventar e reinventar estilos, seja feliz com seu xadrez com bolinhas e seu lencinho ultra- charmoso. Cachoeirense tem mente pequena, mas não é de propósito. Quem sabe um dia isso não muda? Vc é linda!

    ResponderExcluir
  3. Sei bem o que é isso!!

    O pior é que depois que a gente supera o fato de todos te olharem como se vc fosse um E.T, ainda tem que aguentar as 'copias' mal feitas...

    Acho que a copia ainda me irrita mais que a cara feia.
    Imagina que eu fui a primeira a fazer as 'mechas californianas' no meu cabelo, antes mesmo de isso aparecer nas novelas da globo e virar modinha. De inicio me olhavam como se eu fosse maluca ou coisa do tipo... Um mês depois, era praticamente impossível não encontrar alguém com o cabelo parecido (às vezes, bem mal-feito, diga-se de passagem).

    Perdeu até a graça, de volta aos cabelos naturais...

    ResponderExcluir

Gostou do post? Comenta, gata!